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02-Mai-2006

Aboim da Nóbrega, para além da tradição dos Lenços de Namorados, de amor ou de pedido, possui outras tradições em vias de desaparecimento, e que destacamos abaixo. Se quiser ver outras destacadas nesta página, por favor entre em contacto connosco pelo e-mail geral(arroba)aboimdanobrega.com .

1. Fiar o Linho

Clicar para ver maior Fiar o linho era uma tradição de muitos dos serões das mulheres de Aboim da Nóbrega. O linho era fiado com recurso a roca, fuso e dobadeira, normalmente junto à lareira, pelas mulheres e raparigas da família. Depois de fiado servia para tecer os panos de linho, matéria prima usada igualmente pelas mulheres e raparigas para confeccionarem manualmente muitas das roupas da família, pessoais, de cama, etc.

2. Corno da Peçonha

Ao Corno da Peçonha atribui-se a capacidade de curar as pessoas das mordeduras de animais peçonhentos. Existem, actualmente, dois espécimes centenários, pertencentes a particulares. O Corno da Peçonha está colocado num recipiente sempre com azeite.

3. Culto às Almas do Purgatório

O Culto às Almas dos Purgatório é (ou era!) um ritual realizado durante a Quaresma em desagravo e alívio das almas do purgatório de cada lugar da freguesia.

4. Corrida do Entrudo

Forma genuína de festejar o Carnaval, na qual os elementos da população local atiram uns aos outros água e líquidos menos higiénicos (por exemplo, urina) e ainda cinza, farinha, etc.

5. Corrida do Galo

A Corrida do Galo é realizada na escola no último dia de aulas antes do Carnaval. Primeiro os alunos reunem dinheiro para adquirir um dos melhores galos da aldeia. No dia da corrida colocam-no numa cova coberta por tábuas. Um aluno com os olhos vendados terá de encontrar o galo e soltá-lo. Conseguindo sucesso o galo fugirá e os alunos irão tentar agarrá-lo oferecendo-o ao seu professor.

6. Batida ao Lobo

Fojo do Lobo de GondomarA batida ao lobo é uma tradição de outrora, que unia, num esforço alinhado e coordenado, as populações próximas de Fojos de Lobos, com o objectivo de escorraçar os lobos em direcção à armadilha (fojo) onde eram aprisionados e abatidos, para não mais matarem o gado e a rês, sustento das mesmas populações. Assim, era comum, no final da Missa matutina de muitos Domingos, de há mais de 25 anos atrás, as pessoas de Aboim da Nóbrega e freguesias próximas reunirem-se para participarem em batidas ao lobo com destino ao Fojo de Gondomar. Essas batidas eram previamente anunciadas pelos Padres das populações participantes, nas Missas que antecediam os dias das batidas. Estas desenrolavam-se com caçadores, batedores e demais povo que, com barulhos de chocalhos, latas/ferros velhos, tambores, etc., se encarregavam de espantar os lobos das tocas, silvedos, giestais e matagais, seguindo monte acima, até ao fojo, onde os caçadores, perfilados e atentos, aguardavam a chegada dos lobos, para os abaterem. Depois, era a festa, com merendeiros regados pelo vinho da região, transportado em cornos e cabaças.

7. Boi da Roda

A tradição do Boi da Roda, outrora com grande expressão em Aboim da Nóbrega, encontra-se em fase de extinção. Esta tradição consistia na existência de um boi em cada lugar da freguesia, o qual pertencia, em partes iguais, a todos os agricultores desse mesmo lugar. Era um boi adquirido/criado com a finalidade de cobrir as vacas ciosas desse lugar. Cada agricultor era responsável por acolher o boi um dia, em cada ciclo, do conjunto de dias que o boi levava a percorrer todos os agricultores. Sempre que uma vaca ficava ciosa ("se levantava ou andava ao boi"), o seu dono tratava logo de a levar ao Boi da Roda do seu lugar, no local do agricultor que acolhia o boi naquele momento. Era comum ver em Aboim da Nóbrega vacas em trânsito para o Boi da Roda e cada agricultor ter um local privilegiado para o boi cobrir as vacas ciosas o mais adequadamente possível.

8. Malhada do Centeio

A Malhada do Centeio, tal como outras tradições associadas à actividade agrícola, era motivo, em muitos lugares da freguesia, de convívio, mas simultaneamente de disputas entre equipas de malhadores e entre homens e mulheres. No primeiro caso, os homens organizavam-se em duas equipas, para realizar as malhadas de centeio do lugar, saindo vencedora a equipa que fizesse maior estrondo com os malhos a embater no centeio, ou então, aquela que provocasse maior número de desistências de elementos da equipa "adversária". No segundo caso, ao longo da malhada, sempre que havia algum abrandamento dos trabalhos, os homens tentavam levar pela força mulheres acima das moreias de palha, para provarem a sua pujança física, ou então atiravam-nas para o meio da palha, enrolando-se com elas de forma a conseguirem retirar algum proveito. Para mais detalhes visualize o vídeo abaixo.

[Fonte: SIC]

 
8. Parteiras, Endireitas e Curandeiras

Há alguns anos atrás o interior e o meio rural eram locais onde emergiam, em grande número, pessoas que adquiriam ou herdavam naturalmente sabedorias e poderes para aplicação em benefício da comunidade em que se inseriam. Em Aboim da Nóbrega havia, por exemplo, no lugar do Outeiro, a Srª. Rosa do Cancelas, que, para além de parteira local, actuava ainda como endireita e curandeira. Assim, por exemplo, quando alguém abria/torcia um pé ou um pulso, fazia um ritual que era "coser" o pé ou o pulso. Punha uma caneca com água num prato e virava a caneca ao contrário, com a boca para baixo. Com linha ou novelo, pegava na mão ou no pé e fazia uns gestos circulares com linha e agulha acompanhados por um dizer do tipo "eu que coso nervo torto é que eu coso...". E enquanto isso a água que estava no prato deveria subir na caneca. Caso assim acontecesse a cura verificar-se-ia...

 
 
9. O Cozer do Pão de Milho
 
O cozer do Pão de Milho é uma tradição praticamente extinta dos costumes de Aboim da Nóbrega. Outrora era um acontecimento que ocorria várias vezes ao mês na esmagadora maioria das casas. Era uma pequena festa e também sinónimo de ajuda e de partilha em cadeia. Partilha sobretudo evidenciada pela cedência do fermento natural entre vizinhos e também pelo empréstimo de algumas broas de milho. Assim os proprietários das casas garantiam um dos ingredientes fundamentais para cozerem o pão de milho e também iam tendo pão fresco quase diariamente. Abaixo disponibilizamos vídeo do Bruno Barbosa, no qual se revive a tradição do cozer do Pão de Milho, filmado em Dezembro de 2008 na casa da Profª. Maria do Carmo Reis e cujos protagonistas são a Carmelinda e o Tiago Rocha.

  

[Fonte: Bruno Barbosa 2008]

 

 

Destaques

O sítio web dos genuínos Lenços dos Namorados de Aboim da Nóbrega, com 20 anos de existência, o mais antigo de artesanato de toda a web lusófona assim como o mais antigo de todos do concelho de Vila Verde, mudou de alojamento e endereço web. Motivo: o Portal Sapo, onde estava alojado, cancelou a oferta de alojamento gratuito de sítios web sem fins lucrativos. Solução: alojamento novo. O sítio web dos Lenços de Namorados de Aboim da Nóbrega passou, assim, a estar alojado no mesmo servidor deste Portal.